O Ayurveda é um universo tão vasto que, às vezes, a gente se sente meio perdido, sem saber por onde começar a aplicar tanto conhecimento. Já estive aí, e o segredo é ir com calma, um passo de cada vez. É assim que nasce a série "Ayurveda na Prática".

O que é o Ayurveda, afinal?

Falo tanto sobre isso que às vezes esqueço de voltar ao básico e responder à pergunta que não quer calar. E já que este é o primeiro texto da série, achei que seria um ótimo ponto de partida.

Em sânscrito, ayurveda junta ayuhu (vida) com vedaha (conhecimento). Resumindo, o Ayurveda estuda a vida em toda a sua complexidade. Parece um tema gigante, né? E é! Mas vamos por partes: o que é a vida?

A vida é esse período entre a concepção e a morte. E, segundo o Ayurveda, a gente tem que vivê-lo com alegria pra poder chamar de vida mesmo. Essa medicina ancestral nos ensina que, pra ser feliz, a gente precisa de saúde. Pronto, transformamos um tema infinito em algo mais concreto, mas não menos complexo: a saúde. E assim a gente segue, passo a passo.

O que esperar dessa jornada prática?

O meu objetivo principal com essa série – e com o meu trabalho em geral – é te ajudar a se comunicar melhor com o seu corpo. A gente vive num mundo tão barulhento, com tanta informação (muitas vezes furada), que esquece de perguntar o que faz sentido pra gente de verdade. Não somos robôs programados pra seguir receitas de bolo de rotina, alimentação e exercício. Somos seres humanos! E o que é saúde pode variar tanto de pessoa pra pessoa que o maior erro é ler um livro e aplicar tudo ao pé da letra, sem questionar nada. Passo a passo, vou te ajudar a sair desse piloto automático.

Em linhas gerais, nessa jornada vamos falar de doshas, digestão, toxinas, imunidade, hidratação, energia, exercícios, sono, rotinas e a importância de se conectar com a natureza.

Tudo começa na mente

Qual é a sua atitude mental quando pensa na sua saúde? É de responsabilidade e dedicação? Ou de fuga e busca por soluções mágicas? A transformação não acontece de fora pra dentro. Pode fazer plástica, mas a sua genética continua a mesma. Achou um suplemento que te dá um gás? Ótimo, mas é só um "empurrãozinho", não a solução definitiva. Se continuar buscando soluções superficiais, vai encontrar um monte de curativo, mas nunca a mudança de verdade. Antes de tudo, você tem que querer mudar, de verdade.

Se você se "tortura" cada vez que sai da linha, talvez não esteja comprometido, mas com medo – medo de falhar, de não conseguir mudar, de não ser bom o bastante pra fazer a transformação sozinho. Ser responsável pela própria saúde é entender que a gente pode precisar de uma ajuda extra: um amigo pra dar um apoio, um profissional pra dar um norte, ou até um suplemento pra dar aquela energia pra recomeçar.

Moral da história: uma atitude de responsabilidade e dedicação é fundamental pra que as mudanças aconteçam e você conquiste uma saúde mais plena. E essa atitude pode mudar ao longo da vida, por isso é tão importante estar sempre atento e observando o seu corpo, fazendo as escolhas certas nos momentos certos.

Como você está se sentindo agora?

Quantas vezes você se observa sem se julgar? Sem tentar justificar o que está sentindo? Entender o porquê é importante pra saber onde melhorar. Mas o que eu acho fundamental é não esquecer de se observar. A gente aprende tanto sobre si mesmo quando cria um espaço pessoal seguro, sem julgamentos. É como conversar com um amigo sem medo do que ele vai dizer. Às vezes, a gente está só desabafando e acaba encontrando as respostas dentro de nós, de forma natural.

Nas próximas duas semanas, se pergunte várias vezes ao dia: como estou me sentindo agora? Pode ser triste, feliz, com dor nas costas, animado, cansado, frustrado, faminto, cheio de dúvidas, com sede, gases, sono... Por enquanto, não precisa fazer nada além de escutar o seu corpo. No próximo post, vamos mergulhar mais fundo nesse tema, passo a passo.